Dia 18 de maio é o dia da Luta Antimanicomial. É importante que hoje nos lembremos dos horrores vividos nos manicômios para fortalecer a continuidade desta luta, por isto transcrevo um trecho do depoimento de Maria Gabriela Curubeto Godoy postado no blog do ator Bruno Gagliasso:
Sou psiquiatra em Fortaleza, Ceará, e acompanhei o processo de intervenção da Casa de Repouso Guararapes, hospício da cidade de Sobral onde morreu o paciente Damião Ximenes, por maus tratos. O Brasil foi à corte internacional de Direitos Humanos da OEA para ser julgado pelo fato. [...] O Guararapes, fechado finalmente no ano de 2000, tinha celas fortes e situações esdrúxulas, mas comuns a outros hospícios. Os pacientes homens ficavam confinados a um pátio quase sem sombra à tarde (e olha que Sobral é quente), sem água para beber, sedentos, com 2 auxiliares de enfermagem que nem ligavam para eles. Uma bica d’água era aberta por uns 15 minutos às 3 da tarde e os pacientes desesperados se aglomeravam em torno dela tentando molhar-se e matar a sede. Enquanto isso, o dono do hospital tinha ironicamente um parque aquático cheio de piscinas ao lado do hospício… Os quartos não tinham luzes nem lençóis e desde o anoitecer os pacientes ficavam no escuro total, sendo devorados pelos mosquitos. O refeitório era imundo e os gatos comiam nas mesas com os pacientes.
Para mais informações sobre o julgamento do Brasil pela morte de Damião Ximenes Lopes na Corte Interamericana de Direitos Humanos acesse o site Justiça Global ou leia o artigo Reflexões sobre as vitórias do caso Damião Ximenes de André de Carvalho Ramos.
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