segunda-feira, 18 de maio de 2009

A continuidade da Luta Antimanicomial

Eu admiro o trabalho que tem sido feito pelo Brasil afora para resgatar condições dignas de atendimento em saúde mental, com respeito à cidadania e a subjetividade das pessoas com sofrimento psíquico. Compreendo que muitos colegas de Minas, por exemplo, não possam compreender a revolta e a amargura com que algumas pessoas se referem ao movimento antimanicomial.
O movimento antimanicomial implica não só na desativação dos manicômios, mas na construção de uma rede de atendimento em saúde mental que possibilite uma vida digna às pessoas portadoras de sofrimento psíquico. Porém, na cidade de São Paulo a situação do atendimento em saúde mental está tenebrosa e não se trata só da quantidade insuficiente de Caps: em várias regiões a rede de atendimento que existia foi desmantelada!!! Existem pacientes graves, com diversas internações anteriores não conseguem atendimento especializado. Há muitos pacientes graves pelas ruas e em albergues da cidade sem nenhum tratamento. Há muitos pacientes crônicos restritos aos domicílios sem tratamento adequado. O desespero de pacientes e familiares é desumano. E as pessoas responsáveis pelo desatendimento municipal falam em nome do movimento antimanicomial, o que me deixa indignada!
Não basta acabar com os hospícios. Não interessam os nomes. Se não houver respeito ao sofrimento, à dignidade humana e à subjetividade do paciente não adianta nem ser Caps. Lembrando que o verdadeiro movimento antimanicomial se caracteriza pelo acolhimento e pela inclusão social. Onde houver desqualificação, intolerância e segregação das pessoas e de suas falas, a compreensão do movimento antimanicomial está equivocada.
Precisamos passar a refutar todos aqueles que desqualificam o sofrimento e as colocações alheias, usando o nome do movimento antimanicomial para promoção pessoal e a serviço de interesses escusos. E continuarmos a lutar pela universalidade e pela integralidade do atendimento em saúde mental!

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