quarta-feira, 6 de maio de 2009

Compartilhando...

Quando eu escrevi a minha carta aberta, achei que a dificuldade no atendimento de saúde mental fosse local, mas várias pessoas tem me escrito, se identificando com as minhas colocações.

Eu havia me distanciado do atendimento público desde 1998 (a não ser por amigos e colegas com quem mantive contato) e afinal me distanciei da própria psiquiatria (estou acabando uma especialização em homeopatia, mas o meu foco é mesmo a saúde mental –> homeopatia em saúde mental). É por causa deste distanciamento que agradeço no final da carta ao pessoal que me respaldou na volta à psiquiatria no serviço público.

Quando fui ver o emprego no Nasf, fui porque me identifiquei com a proposta (acho que o trabalho com agentes comunitários, quando bem feito, é demais!!!), pensando que seria contratada como homeopata e me contrataram como psiquiatra. Eu sempre gostei de psiquiatria, não renego, não; mas tenho tido umas experiências em homeopatia que são muito interessantes. Existem poucos estudos de homeopatia em pacientes psiquiátricos, e eu trabalho dentro da linha unicista, em que a medicação é totalmente personalizada. Preciso às vezes de algumas entrevistas para encontrar um caminho.... (Quer dizer, se saí do serviço público porque 15 minutos não eram suficientes, agora estou indo por um caminho em que até 2 horas às vezes é pouco!!! Mas é o caminho que eu amo.)

Quando topei entrar no Nasf como psiquiatra, tinha a esperança de tratar algumas pessoas com homeopatia, mas a situação na região estava tão grave que o pouco que fiz foi dentro da psiquiatria tradicional mesmo... Quem sabe um dia?...

Eu acho que pude escrever a carta como escrevi por ter estado fora este tempo. As pessoas que permaneceram trabalhando no serviço público dizem que se sentem assim também, mas viveram estas mudanças gradualmente e tem uma insatisfação que acabaram não nominando, ficou tão acumulada que virou tudo (e nada).

Recebi umas cartas tão boas. Tantas pessoas por aí tem experiências e questionamentos tão ricos. Senti que faltava um fórum onde as pessoas podessem se colocar melhor para que a saúde mental reencontre o seu caminho. Eu não me sinto com liberdade para socializar o conteúdo das cartas que me foram enviadas pessoalmente. Foi por isto que criei este blog, para trocarmos idéias e experiências a respeito das dificuldades e realizações nos atendimentos da rede de saúde mental, dos Nasfs (Núcleos de Apoio à Saúde da Família) e do PSF (Programa de Saúde da Família).

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