
Recebi por email um comentário atribuído ao psiquiatra e psicanalista Luiz Fernando Pinto da Bahia, que gostei e transcrevo:
Não deve haver confronto entre a psiquiatria e a psicanálise. Quando ele existe, há algo de errado nesta arena. Existem psiquiatras radicais e despreparados, que não conseguem enxergar além do brilho das suas pílulas doiradas. Mas, em contrapartida, existem psicanalistas que nada vislumbram além do complexo de Édipo e dos conceitos básicos lacanianos. Ambos estão estrondosamente equivocados na radicalização de suas posições. O psiquiatra não deve desconhecer o Ser Humano que ele diagnostica e medica; nem deve desvalorizar os seus sofrimentos, os seus conflitos, as histórias sofridas de vida que se escondem atrás dos sintomas que camuflam as verdades causticantes que habitam o inconsciente. Em contrapartida, os psicanalistas não podem desconhecer e recusar os progressos da neuro-biologia e da farmacologia. O que ocorre, muitas vezes, é um grande equivoco de profissionais radicais carentes ambos de bom senso e maturidade que trombam de frente, de maneira infantil, a olhar apenas para o seu psico-umbigo ou seu fármaco-umbigo com olhares caolhos. Este conflito impróprio e extemporâneo não é avalizado nem pela psiquiatria nem pela psicanálise. Trata-se apenas de um conflito entre profissionais despreparados para o exercício de sua função. Desnecessário dizer que a psiquiatria e a psicanálise são recursos complementares que devem ser aplicados em interação na ajuda ao paciente que deles necessita.
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